Há que dizê-lo com frontalidade: mulher grávida é sinónimo de mulher vulnerável. Por mais pós-graduações que tenha, assim que entra no consultório do obstetra e mergulha na rotina de exames, medições e termos complicados, não há estudos que valham. As dúvidas, as inquietações, os medos surgem quase do nada.
Por vezes, a insegurança não permite sequer que a grávida coloque ao médico todas as perguntas que tinha em mente. É normal sentir este desassossego no peito. Mas, por mais ansiosa que esteja, não desista de fazer todas as perguntas que lhe assaltam o espírito. Mesmo aquelas (aparentemente) mais tontas: ‘quanto tempo dura a gravidez?’, ‘o que é uma contracção?’. Familiarize-se com conceitos como rompimento das membranas e episiotomia. Informe-se sobre os riscos e os benefícios da epidural.
Não tome nada como um dado adquirido. Se não perceber as explicações do médico à primeira, peça para ele a aclarar outra vez – não tenha vergonha de o dizer.
Depois de realizar uma ecografia, espere pelo momento em que já está vestida, frente-a-frente com o médico, para dissipar as dúvidas. Desta forma, estará mais atenta e sentir-se-á menos vulnerável.
Depois de realizar uma ecografia, espere pelo momento em que já está vestida, frente-a-frente com o médico, para dissipar as dúvidas. Desta forma, estará mais atenta e sentir-se-á menos vulnerável.
Se o obstetra lhe propuser uma determinada intervenção (indução do parto, cesariana), tente perceber bem as razões e pergunte se não há procedimentos alternativos. Se lhe for pedido que assine um consentimento informado, leia o documento com atenção, sem pressas. Moral da história: não leve dúvidas para casa.
Não vá às consultas sozinhaPode parecer complicado, conseguir que o seu parceiro tenha sempre disponibilidade para a acompanhar ao médico, aos exames, às ecografias, às sessões de preparação para o parto. Mas insista, a gravidez não foi inventada para ser vivida apenas pela mulher. Se, por qualquer razão (o emprego, por exemplo), ele não puder mesmo ir, peça à sua mãe, ao seu irmão, à sua melhor amiga.
Frisamos este ponto, não apenas porque é bom partilhar emoções, mas, sobretudo, porque é útil estar mais uma pessoa no consultório. Essa pessoa pode colocar as questões que a grávida não se lembrou – ou não se sentiu à vontade – para colocar. Pode ajudar a desdramatizar a situação se o obstetra falar na necessidade de realizar uma amniocentese. Vestir a capa da racionalidade se os sentimentos tomarem conta do momento. Ou servir de porto seguro se alguma coisa estiver a correr menos bem com a gravidez.
Não faça cerimónia. Peça companhia para ir às consultas pré-natais.
Faça a sua própria pesquisa
Estar bem informada é meio caminho andado para um parto mais tranquilo. Zita West, a famosa parteira britânica autora de vários best-sellers sobre fertilidade, gravidez e parto, diz, no livro «Cuidar do bebé antes do nascimento» (Civilização Editora), que «a familiaridade» da mulher com «os padrões de comportamento em cada fase do parto dá-lhe uma melhor compreensão do que se está a passar com o seu corpo e como lidar com isso».
Acrescenta a especialista: «Um planeamento prévio é mesmo importante». Isto porque, diz Zita West, se a mulher estiver em boa «forma mental», o parto será, seguramente, mais fácil.
Por isso: leia, estude e procure esclarecimentos sobre as várias opções de parto. Não espere que a informação lhe caia no colo, não dependa da paciência e da disponibilidade do seu médico e, sobretudo, não adie. Evite pensar que, sobre o parto, «logo se vê».
O obstetra do Hospital de S. João Diogo Ayres de Campos defende que o «verdadeiro envolvimento na decisão sobre as intervenções de saúde só funciona quando as grávidas estão bem informadas das alternativas possíveis».
O médico recomenda os sites da Cochrane Collaboration, «que contém resumos em linguagem simples dos melhores conhecimentos científicos actuais nesta área» e a página «Information for patients» do site do Colégio Inglês de Ginecologia e Obstetrícia
No entanto, estar bem informada não significa, necessariamente, estar bem preparada. Ler todos os tratados de obstetrícia publicados até hoje não é, seguramente, o passaporte para o parto perfeito.
Seja selectiva e comedida. Estude, mas relaxe. Questione, mas confie.

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